
POBRES
Pobres sempre os temos connosco, mesmo quando não trazemos para as páginas d'O GAIATO os encontros diários com eles.
Podemos dizer que se tornam rotina, aquelas situações de carência básica de diversos bens, pelos quais os Pobres nos procuram. São os medicamentos, é a água e a luz e o gás, é a renda da habitação, hoje, a preços exorbitantes, os mais procurados, mas também outros com menor frequência.
Às vezes, pagamentos destes que não cumprem, complica-lhes a vida e encarecem a retoma destes bens. Outras vezes, são situações que seguem para contencioso com as Finanças e, até, com tribunais. Destes casos resultam coimas ou pagamentos a favor de outros. As aflições por vezes são grandes, e a nossa ajuda torna-se um alívio e uma fonte de agradecimentos.
Aquela mãe, filha e neto, que conhecemos há uns anos, ainda este estava em gestação, com frequência nos procuram, exceptuando um período em que obtinham ajuda noutros lados. Depois de várias mudanças de habitação ao longo dos anos, a que não é alheio o não pagamento das rendas, nova obtiveram agora com a ajuda da autarquia local. Mas faltava-lhes uma parte da mobília. Fomos então, com os nossos rapazes, levar-lha para não terem que dormir no chão, o que já estava a suceder.
Nem todas as situações nos deixam tranquilos, como a daquela família que, embora Pobre, contraiu dívidas, iludidos, com um desenlace fatal. Depois de várias intervenções nossas, ainda não conseguiram equilibrar a vida. Vamos tateando, procurando a melhor saída.
Padre Júlio