VOZ A PAI AMÉRICO
«Era meio-dia e quê. Estavam os nossos na formatura; na formatura de entrada prò refeitório quando um automóvel aparece ao longe. «Oh que valente espada!», ouviu-se. Era o ministro; o ministro das Colónias com o chefe do gabinete.
A sopa fumegava. A hora era de comer. Eu aventurei-me:
— Senhor ministro, almoce.
— Pois sim!
Não se contava com tal favor.
Avancei imediatamente à cozinha: — Carlos, olha que o senhor ministro almoça. ·Que tens tu hoje?
Sem esperar resposta, berro ao «Elvas» a mesma notícia: — Olha a mesa!
Dali vou aonde o «Lisboa»: — Olha vinho do melhor que está o senhor ministro!
Fomos para a mesa. Era sopa de feijão branco e o conduto, batatas. Não havia nada de sobremesa. Às vezes, calha haver qualquer mimo que nos oferecem, mas naquela maré nada. Nadinha.
O «Rio Tinto» tinha cozido a fornada de manhã. Havia ao menos farturinha de pão.
O senhor ministro quis sentar-se à nossa mesa! Gosto muito de ver um governo forte ao pé dos fracos.
Quis conhecer e falar ao Padre Fatela, aos professores Madureira, Arlindo e Almeida. Ao Joaquim, mestre de canto coral. E também quis conhecer e falar aos grandes desconhecidos!
A mim, já me conhecia de lhe ter pedido, de uma vez, um vagão de milho e brevemente me tornará a conhecer…»
Duarte, M. P. M. P. 1967.
«Somos a Porta Aberta
— Pedagogia do Padre Américo: MÉTODOS E VIDA». 2.ª ed., pp. 212-213.
