VOZ A PAI AMÉRICO

«Temos cá um pequenino que foi da pedincha. Todos o foram. Houve uma excursão. Alguém pede-lhe uma caneca de água e o garoto vai por ela à fonte.

— Toma lá.

— Não posso aceitar!

— Mas ninguém vê.

— Vê Deus!

Não sei qual teria sido a reacção produzida na alma daquele senhor ao ouvir, com tanta firmeza, da boca daquela criança das ruas, o dogma da presença de Deus. Nenhum teólogo teria sido mais eloquente.

Temos aqui também uma tese da necessidade de convicções religiosas na formação do carácter.

— Anda, que o Padre Américo não vê.

— Mas vê Deus!

Que mundo de ensinamentos não vai neste simples enunciado!

Não sei verdadeiramente onde está o tal ópio da Religião; nem vejo o pirilampo de onde ele possa sair como dizem os letrados. Os trelidos. Eu vejo mas é aqui tanta luz! Esta Obra irradia tanta luz, tanta e tal que me não canso de ver nela o que os Apóstolos viram depois das nuvens do Tabor: Jesus».

Duarte, M. P. M. P. 1967. «Somos a Porta Aberta
— Pedagogia do Padre Américo: MÉTODOS E VIDA».
2.ª ed., p. 191.