SETÚBAL

Filho, eu preciso de ti!

Reconhecer a ajuda de outrem demonstra uma profunda humildade ao ver o outro — independentemente de sua personalidade, cor, cultura ou crença — como alguém que me complementa e contribui para a minha jornada. Um exemplo marcante foi quando, em uma conversa com um filho, um pai preocupado, às voltas com muitas tarefas que o deixavam sem saber como administrar sua vida profissional e familiar, disse: "Filho, eu preciso de ti – eu preciso de ti!" Essa afirmação deixou o filho surpreso, pois não era comum ouvir do próprio pai uma solicitação de ajuda. Ele respondeu: "Pode contar comigo, pai, no que precisar de mim." Essa experiência me marcou profundamente e continua a influenciar minha vocação sacerdotal. Muitas pessoas podem-se identificar com essa situação, seja na postura de pai (biológico ou espiritual) ou de filho, em que o desejo de fazer tudo impede de reconhecer a ajuda de outros. Hoje, ao reflectir sobre esse episódio, percebo que somos chamados a crescer na humildade, a não nos considerarmos superiores ou independentes a ponto de não precisarmos de auxílio. Seja como pai, filho ou alguém com responsabilidades, somos desafiados a desenvolver essa virtude, que é fundamental para qualquer acção salvífica. Como disse o Venerável Padre Américo: "Sem humildade, nada!" E essa virtude não consiste em se diminuir perante os outros, mas sim em uma demonstração de maturidade e carácter; reconhecer que, sem Deus, nada somos.

Paulo Domingos