
PATRIMÓNIO DOS POBRES
Durante muitos e muitos anos, a família a quem já nos referimos, aguardou e alcançou o que lhes parecia inverosímil, o arranjo da sua muito pobre habitação, de modo a nela estarem protegidos das intempéries, especialmente da chuva.
Agora já acreditam, e por via disso, já começam a sonhar arranjar isto mais aquilo:
— Senhor padre, não terão umas sobras de tijoleira, para forrar o chão do nosso quarto? Não é preciso que seja toda por igual!
— Sim, vamos ver. Talvez tenhamos.
Não admira que tenham vivido, demasiado tempo, desiludidos com a vida, procurando afastar da consciência a muitíssimo pobre situação de vida em que se encontravam. Também fomos culpados por este longo tempo de espera, até que este grande passo fosse dado.
Eles serão, de futuro, a locomotiva que abrirá novos caminhos, desbravando outras melhorias de que as suas vidas carecem. Agora é a tijoleira para o chão… depois será a luz do sol a entrar em sua habitação, a que poderão chamar casa.
Padre Júlio