OS NOSSOS LIVROS

Calvário - 4

A publicação deste quarto (e "derradeiro") volume d'O Calvário de Padre Baptista poderá suscitar nos Leitores e Amigos da (sua) Obra (da Rua) a ideia – perfeitamente "natural", mas que se impõe, desde já, ser rebatida – de que, a tal evento editorial corresponderá o culminar de um processo pensado, estruturado e concretizado com o único fito de ver, assim, "terminada a obra" do Autor em presença. Estaremos todos muito longe da "verdade dos factos" se for esse o nosso pensamento.

Com efeito, e em abono da dita, não foi no que faltava ainda publicar em livro no que aos textos de Padre Baptista diz respeito que tudo começou, mas antes (e como sempre), n'O Gaiato e, no coração deste, naquele espaço exíguo, mas verdadeiramente singelo que os textos assim mesmo encabeçados – "Varanda de Beire" – ocupavam.

São, de facto, apenas sete tais textos, cronologicamente situados entre Fevereiro de 1959 e Janeiro de 1968, mas onde se nos torna presente um núcleo axial para a observação e compreensão daqueles que foram o "sangue" e o "coração" de toda a vida do seu Autor. É, pois, a partir dessa «varanda secular», de altivez granítica, derradeiro resquício das «velhas moradias da Quinta da Torre» onde Padre Américo certo dia sonhou fazer «uma obra linda», que Padre Baptista nos convida a «contemplar os campos que a rodeiam […]. Tudo deslumbramento para os sentidos e riqueza para o espírito». Qual testemunha silenciosa de uma História que ainda respira por entre as suas pedras, hoje como ontem aquela varanda é sinónimo de conversas murmuradas, solilóquios meditabundos, ou refúgio quotidiano de quem nela procura sentir o mundo com um pouco mais de distância e contemplação. Daquele silente parapeito, a beleza – própria e circundante – não (se) impõe: antes (se) revela; ali o tempo corre lento, o olhar encontra o seu descanso entre o rebuliço da Casa e a quietude do horizonte; ela é o palco onde o "teatro do mundo" ganha (outro) sentido; ali a solidez da pedra se encontra com a liberdade da brisa, qual matrimónio feliz entre a Memória e o Futuro. Por isso, é completa a razão que assiste a Padre Baptista: «só temos muita pena mesmo que sejam tão poucos a mirar as belezas naturais que oferece a varanda de Beire» (p. 23).

Assim "(con)vencidos", foi precisamente "daqui" que nasceu a ideia do presente volume: recuperar, organizar e publicar estes "retratos-outros" da vida-missão de Padre Baptista, como que convidando os leitores a regressar, com ele, a esta "Varanda de Beire" e aos tempos em que a sua primeira missão era a do acolhimento dos "rapazes das ruas", para, a partir dela, reentrar n'O [seu] Calvário. Assim esclarecida a génese do volume, fica igualmente estabelecido o programa ("arquitectónico-literário-existencial") aqui proposto. Do Prefácio, por Luís Leal

Os pedidos podem ser feitos à Casa do Gaiato de Paço de Sousa, através do telefone 255752285; por e-mail: geral@obradarua.pt; por carta Largo da Casa do Gaiato, 94 – 4560-378 Paço de Sousa; ou no site: www.obradarua.pt