
MALANJE
Hoje, em Angola, celebra-se o Dia do Herói Nacional. Neste dia, recordamos e honramos todos aqueles que tornaram possível a independência. Foram muitos os que, no anonimato, entregaram a sua vida para tornar realidade um sonho. Devemos também reconhecer os heróis nacionais dos nossos dias, aqueles que, apesar das adversidades e das dificuldades que actualmente se vivem no país, continuam a acreditar que é possível reconstruir uma nação assente na democracia e no respeito pelos direitos de todos os cidadãos, como tantas vezes nos recorda a Doutrina Social da Igreja.
Neste mês, recebemos 11 novos gaiatos, completando assim o número de 84 rapazes. Continua a ser um grande desafio e um autêntico milagre que as Casas do Gaiato consigam seguir em frente, apesar das crescentes exigências, tanto das necessidades dos nossos gaiatos, que aumentam dia após dia, como das exigências do próprio Estado.
Por vezes, a dinâmica da Casa e as dificuldades económicas não nos permitem ter o rigor administrativo que habitualmente encontramos nas empresas. Neste momento, as duas Casas do Gaiato em Angola encontram-se num período de adaptação, procurando cumprir as normas da AGT, nomeadamente através da contratação de um contabilista e do pagamento de outros impostos, para além das obrigações relativas aos nossos trabalhadores, que já cumprimos há vários anos.
Pouco a pouco, continuamos a procurar encontrar um enquadramento legal adequado para os gaiatos com mais de 18 anos que ainda necessitam de permanecer na Casa. A realidade é que muitos deles não estão preparados para enfrentar a sociedade, mas, ao mesmo tempo, já não podem permanecer na Casa nas mesmas condições que os menores. Temos este ano lectivo para elaborar uma proposta que possa ser apresentada e aceite pelas instituições do Estado.
Estamos também a tentar reactivar as áreas produtivas. No entanto, como já referimos anteriormente, a AGT continua a considerar essas actividades como actividades produtivas, o que nos suscita muitas reservas e receios relativamente às exigências fiscais que delas possam resultar.
De qualquer modo, continuaremos a dar o nosso melhor, conscientes de que o verdadeiro dono desta Obra é Cristo e de que nós somos apenas servos inúteis de uma missão que Deus nos confiou através das mãos do Padre Américo.
Padre Rafael