
MALANJE
No mês de Agosto damos início a um novo ano lectivo na Casa do Gaiato. A partir do dia 15 começaremos com as primeiras Assembleias, nas quais serão escolhidos os objectivos para o novo ano lectivo. Durante este período, daremos também acolhimento aos novos gaiatos que foram seleccionados pela Comissão de Acolhimento ao longo do último mês. Esta Comissão é constituída por quatro gaiatos maiores de 18 anos e por um membro da Direcção.
No próximo dia 23 teremos a ordenação diaconal do nosso Adão Vicente. Será o terceiro gaiato da nossa Casa a ser ordenado diácono e, se Deus quiser, será também o segundo sacerdote formado nesta Casa do Gaiato de Malanje.
A celebração terá lugar na Catedral, juntamente com outros dois teólogos e quatro diáconos que serão ordenados sacerdotes. Depois da celebração haverá uma festa no Seminário, seguindo-se, posteriormente, a continuação da celebração na nossa Casa, com um jantar de confraternização.
Queremos agradecer a todos aqueles que têm colaborado na sua formação, de modo especial ao Seminário do Porto, que ao longo destes últimos anos se preocupou com a sua formação teológica e acompanhou o seu caminho até ao sacerdócio.
Como tem vindo a acontecer ultimamente, as exigências do Estado vão-se fazendo sentir cada vez mais. Se durante estes últimos anos temos procurado encontrar um equilíbrio que permita aos gaiatos maiores de 18 anos continuarem a viver na Casa, agora chegou também a hora da Administração Geral Tributária.
A nossa Casa tem a obrigação de apresentar as suas contas às entidades do Estado, o que exige a existência de um contabilista e uma maior exigência e rigor na apresentação das demonstrações económicas e das respectivas justificações, para além dos impostos que temos de pagar. Entre estes encontra-se o imposto sobre as doações, relativamente ao qual, a partir de agora, teremos de contribuir com 2% dos valores recebidos.
Todos estes desafios exigem que a nossa Casa se actualize dia após dia e, ao mesmo tempo, fazem aumentar as necessidades e as despesas da instituição.
Para podermos ultrapassar estas dificuldades, aconselham-nos a apresentar ao Estado um pedido para que a Casa do Gaiato seja reconhecida como instituição de utilidade pública. No entanto, como sempre, temos também algum receio relativamente ao grau de ligação ao Estado que isso poderá implicar, sobretudo no que diz respeito à nossa capacidade de decisão e à nossa autonomia.
Ao mesmo tempo, enfrentamos o desafio de responder a tantas exigências que, no final, se traduzem quase sempre em maiores necessidades económicas e em despesas adicionais, enquanto continuamos a ser uma instituição totalmente autónoma.
Um dos assuntos que mais nos preocupa neste momento é o aumento das propinas de todos os estudantes, tanto do ensino médio como das universidades. Estamos a prever que teremos de pagar cerca de 1.000 euros em propinas para todos os gaiatos. Não podemos esquecer que até mesmo na nossa própria Escola do Gaiato temos a obrigação de pagar propinas.
De qualquer maneira, continuamos a confiar na Providência, sabendo que, estando nas mãos do Senhor, mesmo nos mares mais turbulentos não iremos ao fundo. Mas não podemos esquecer que essas mãos do Senhor são sempre intercessoras e que muitas vezes chegam até nós através de pessoas concretas, que são as mediações escolhidas pelo próprio Senhor.
Temos a consciência de que o Padre Américo e tantos outros que deram a sua vida por esta Obra continuam, agora junto de Deus, a acompanhar e a interceder pela Casa que ajudaram a construir.
Por isso, apesar das dificuldades, continuamos o nosso caminho com confiança, procurando responder aos desafios de cada dia sem perder aquilo que é essencial: sermos família para aqueles que não têm família e continuarmos a cuidar dos nossos gaiatos, confiando sempre na Providência de Deus.
Padre Rafael