Há 70 anos - Pai Américo - partiu para o Céu

16 de Julho

A vulgaridade repetirá os mesmos adjectivos: o trágico acidente; o malogrado Padre Américo…

A Fé ensina-nos que a morte é «a passagem para a Vida»; que o Justo («o que viveu da Fé») nasce naquele mesmo instante em que Deus recolhe o seu último suspiro — resposta de uma alma, derradeira no Tempo, àquele Sopro divino que a criou.

Outra vez a Fé e a experiência dão-nos o sabor da presença para além da presença física, quando cremos nas mãos de Deus, aquele que partiu de sob os nossos olhos.

É assim com Pai Américo. Nunca nos atrevemos nem atreveremos a chamar-lhe malogrado, a ele que mantém tão viva no coração dos homens a sua memória, por causa do amor que, em Deus, aos homens dedicou. Jamais chamaremos trágico ao acidente que apressou a sua morte. Ela foi digna de si. Proporcionou-lhe a apoteose que a história regista. Mas, sobretudo, foi como e quando Deus quis.

Tragédia é só oposição ao querer de Deus, que motiva a Sua ausência de entre os homens; Esses, sim, fizeram-se um destino trágico.

Passaram três anos. Rápido correr do tempo, prenhe de acontecimentos que fazem estremecer de dor e de alegria. Ele continua entre nós. Eu estou escrevendo no seu escritório, sentado na sua cadeira. Á minha frente o seu retrato, o que nunca consegui conservar em sua vida, que todos me tirou.

É como se tivesse ido de viagem — como tantas vezes — e estivesse prestes a voltar.

É assim Pai Américo entre nós.

Por isso, a Festa de Nossa Senhora do Carmo, distinguida só em torno do Altar, é uma oportunidade de agradecermos a Deus o seu constante chegar, que a Fé nos dá em experiência desde a sua partida sem regresso.

[Padre Carlos]. «O Gaiato». 11 de Julho de 1959.

16 de Julho. Ano XVI, n.° 400, p. 1.