Há 70 anos - Pai Américo - partiu para o Céu

Duplo Aniversário

Na data em que escrevo passaram dois anos sobre a morte de Pai Américo.

A Igreja costuma dizer dos bem-aventurados: «nasceu para o Céu…» E nós, sem querermos antecipar juízos que nos não comprometem, sentimos na verdade desta sorte.

É certo que a sua partida poisou sobre nós o cerne de provações dolorosas. Que a nossa sensibilidade não se furtou ao choque de uma tristeza funda. Que a saudade é hoje, ainda, e cada vez mais, viva. Que a Cruz pesa, toda, sobre os ombros frágeis dos «padres da rua», que não contavam, por muito tempo ainda, com outro esforço que não de cireneus. Mas a impressão que prevalece é esta mesma: «nasceu para o Céu»…! E nós, sentindo embora não o ter presente, «estamos todos cheios da sua presença», agora mais poderosa do que nunca.

Estas palavras aqui postas entre comas são de um da comunidade de Paço de Sousa, e dirigidas a Pai Américo na data das suas Bodas de Prata sacerdotais. Pai Américo fugira para o Gerês, mas «nada valeu fugir, estamos todos cheios da sua presença».

E outro da comunidade escrevia na mesma data: «Estamos, portanto, em festa e festejar havemos também as Bodas de Ouro e mesmo as de Diamante. Não importa que o lugar da festa mude, pois no Céu a alegria ainda é maior».

Pai Américo comentou: «Se a minha ausência assim causa presença, que fará a morte?! Ainda hoje existe o ignorante que afirma acabar a Obra com a morte do seu fundador. Eu digo que não. Qual profeta da Nova Lei, eu afirmo que ela começa no dia em que eu morrer».

Palavras proféticas, na verdade! — que Deus tão depressa quis confirmar.

Por isso é que nós aqui associamos em alegria serena, feita da certeza que dá a Fé, os dois aniversários: nascimento para o sacerdócio… nascimento para o Céu…

28 de Julho de 1929… Começava a longa gestação da Obra da Rua num coração consagrado e fecundado pelo sacerdócio do Mestre. Até ali fora um homem bom…, mas estéril! Dez anos trabalhou a Graça em suas mãos ungidas até ao dar à luz…

16 de Julho de 1956… A Obra, já nascida, recebeu a unção confirmatória. A morte dele deu-lhe uma vida nova. Deu-lhe uma vida tal, que ele mesmo, «qual profeta da Nova Lei», a identificou com o começo.

16 e 28 de Julho… Este ano e sempre, a Família da Obra da Rua estará agradecendo, louvando, suplicando, merecendo… festejando com ele, em roda do Altar de Deus que é, para nós, o lugar mais próximo do Céu, onde «a alegria ainda é maior».

[Padre Carlos] «O Gaiato». 26 de Julho de 1958.

Duplo Aniversário. Ano XV, N.° 375, p. 1.