Há 70 anos - Pai Américo - partiu para o Céu

Aniversário

O ciclo do fim principiou em 12 de Julho. Foi a inauguração da Capela da Casa do Gaiato de Beire. Depois, uma breve passagem por Paço de Sousa. A última.

Essa noite dormiu-a em Viana do Castelo. O pároco da Matriz, guarda como dom de preço inestimável tê-lo conhecido ainda naquela manhã de 13. Essa tarde parou em Coimbra. À noite, iria à Marinha Grande, mas a notícia de uma manifestação levou-o por caminhos diversos.

Sábado 14, última missa em S. Martinho do Porto e regresso. No Espelho da Moda foi o derradeiro desabafo. Dali a S. Martinho do Campo de Valongo, são uns minutos.

Eram seis horas e cinco da manhã, na festa de Nossa Senhora do Carmo, quando Deus guardou a sua alma amadurecida pela seiva da Cruz.

Sobre tudo isto vai um ano a cumprir-se. O tempo é assim: corre como um perseguido; quando na verdade é ele que nos persegue e arrasta. Um ano cheio, cheio de graças de Deus.

Agora mesmo batem à porta. Julguei que era, mas não foi uma interrupção. Três mulheres à volta dos 60, saídas do Porto às 3 horas desta madrugada de S. João, chegam sorridentes e deixam em minhas mãos pecadoras três embrulhinhos em papel celofane. «É pouquinho, mas é à feição das nossas posses»!

Uma cinco; outra vinte; outra vinte e cinco escudos. As três, trinta e tantos quilómetros a pé desde as 3 da madrugada até às 4 desta tarde de S. João. Quantas doações assim, quantos sacrifícios, quantas orações que a gente sabe e quantas ignora! Com este adubo e a semente do Céu, como não havia o tempo de ser cheio de graças?!

«A Obra começa quando eu morrer…» A planta nasce da semente que morre. É do Evangelho. É da Vida.

Entre os rapazes, agora que a semente está no Céu, surgem «novidades» de doação. Nos Seminários o fermento leveda a massa. Parece concretizar-se a confiança da Igreja. O Poder Civil sempre se tem mostrado compreensivo e amigo. Todo o carácter de vanguarda e toda a liberdade de acção se conservam. «O Gaiato» continua a ser ele, mau grado, aí o lugar de mais difícil substituição.

Como explicar a vivacidade que se mantém e progride, senão porque Deus dá o incremento e a semente está no Céu e na terra há adubo de grande fertilidade?!

Um ano vai a cumprir-se. Um ano cheio de graças.

Deus seja louvado!

[Padre Carlos]

«O Gaiato». 6 de Julho de 1957. Aniversário. Ano XIV, N.°348, p. 1.