DA NOSSA VIDA
Habitação
Noutros tempos, centrava-se no casamento a importância necessidade de habitação: "quem casa quer casa"; impunha-se tê-la para constituir uma nova família e com condições de independência. Todas as outras situações, com igual necessidade, ficavam socialmente mais diluídas. Nestes tempos, da dissolução de casamentos e uniões de vida em comum, do crescimento da imigração e outras situações, multiplica-se a necessidade de mais habitações, que nem sempre servem em condições convenientes e a custos que ultrapassam a capacidade de quem as procura.
Pai Américo ao promover a construção de casas para famílias pobres, sem eira nem beira, sem lugar onde se recolherem, fê-lo pelo amor a Deus e aos pobres. A autenticidade dos seus propósitos e os correspondentes frutos, contagiaram e animaram muitos outros, sequiosos de justiça, a construir casas por todos os lugares. Foi um movimento sem precedentes, em tempos de grandes carências económicas, vencidas pela participação confiante de todos. Foi obra animada pelo amor, que tocou a todos, continuada para além da morte do «incendiário», provando que a obra não era dele, como disse, mas de Deus.
Este grande movimento do Património dos Pobres, cujo ponto alto foi inigualável e certamente irrepetível, na construção de alguns milhares de casas por todo o país, continuou depois disso a ser uma fonte de cura de muitas carências de habitação dos pobres, que a Obra da Rua prosseguiu, quer com a construção por inteiro de novas habitações, quer no auxílio à sua construção por famílias que a empreendiam, normalmente ajudados por familiares, para que as pudessem finalizar.
Esta dedicação à construção de casas para famílias pobres, não é um apêndice a que a nossa Obra se dedica. Na sua origem, está a construção das várias Casas da Obra, o que
despertava a sensibilidade para a carência dos pobres sem casa. Na experiência dos nossos padres fundadores, à necessidade de construir os edifícios da Casa para as várias funções práticas e pedagógicas, juntavam-se as carências dos pobres que visitavam e os procuravam.
Para a construção das várias Casas da Obra, os nossos padres, a começar por Pai Américo, tiveram de mendigar em lugares públicos, pelas igrejas, por casas particulares e empresas, em cinemas e praias… Construíram as aldeias em terrenos desabitados, mas também a partir de edifícios em ruínas. Dominava o esforço e a abnegação, mas também a alegria de servir os pobres.
A habitação, começa por ser uma necessidade básica de todos. Deve por isso contar com a responsabilidade dos bens privados e públicos que, em todas as situações devem responder às necessidades. Mas, os próprios beneficiados devem também colaborar na sua melhoria e preservação. Só com a responsabilidade de uns e outros se pode caminhar para a satisfação das necessidades de habitação de todos.
Padre Júlio
