
DA NOSSA VIDA
800 anos
Também para nós é muito importante falar de Francisco de Assis, não podemos deixar de o fazer, especialmente nesta data de 3 de Outubro, porque nela se completam 800 anos sobre a sua morte. Oito séculos na história humana é muito tempo. Mas, na história dos santos é como um dia que passou, porque vivida no seio de Deus, diante de quem um dia «é como mil anos, e mil anos como um dia»; assim sublinha S. Pedro este anacronismo, em concordância com o Salmista.
Francisco de Assis diz muito à nossa Obra, aliás, talvez ela mesma nunca seria se Pai Américo não fosse um contagiado pelo Pobre de Assis. Deste contágio ficaram-lhe marcas indeléveis, o sabor e a paixão pelo mesmo Cristo, vivo e crucificado, que amou nos Pobres e a todos comunicou com a sua vida e obras.
Jesus Cristo, centro da vida de todos os santos, é Deus no meio dos homens, e os santos, como o Irmão assisano, são homens mergulhados em Deus. Esta acção espiritual que é o mergulho, traduzia a vivência e o pensamento espiritual de Pai Américo no seu quotidiano. Mergulhado no Evangelho, onde quer que estivesse, era fisicamente presente no mundo passando como turbilhão, enquanto espiritualmente era ausente do que o afastava do verdadeiro centro da vida.
Pai Américo deixou-nos em seu testamento o valor altíssimo da pobreza, ela a virtude central do espírito franciscano, que o apaixonou e fez viver à semelhança de Francisco de Assis: «O fundamento da Obra da Rua é a sua pobreza».
Não será a mentalidade dos tempos a fazer-nos inflectir esta opção, que o Santo de Assis experimentou radicalmente na sua vida; ela, a força poderosa para libertar o caminho dos escolhos materialistas. Sendo ele de família rica aos olhos do mundo, alcançou, pela pobreza, a verdadeira riqueza, o seu Senhor Jesus, fonte da verdadeira alegria, paz e liberdade..
Padre Júlio