DA NOSSA VIDA

Família

No Verão, habitual tempo de férias, é também habitual recebermos a visita de rapazes mais velhos, especialmente dos que vivem no estrangeiro. São muitos, a maioria das vezes com família que constituíram, espalhados pelo mundo. Seria interessante saber onde estão, para conservarmos a ligação entre todos, senão física pelo menos espiritual.

Um dos nossos, que nos visitou neste Verão, depois do regresso à sua vida normal no país estrangeiro onde vive, mandou uma mensagem que nos encantou e confirmou na unidade possível que entre nós existe. Transcrevo a mesma.

«Bom dia Sr. Padre Júlio,

Deus queira que esteja tudo bem com você e todos aqueles que o rodeiam.

Gostaria através desta mensagem lhe agradecer do fundo do meu coração de me ter dado a oportunidade de voltar a ser feliz durante uns momentos, ao me dar a possibilidade de me sentar à mesa e partilhar o almoço com a nossa "pequena" família.

A visita à Casa do Gaiato é para mim os momentos mais marcantes das minhas curtas férias.

Graças a você pude apreciar novamente cada instante enquanto estava sentado no meu lugar no refeitório.

Muitas emoções me enchiam a alma nesse momento.

Cada lugar na Casa tem a sua importância, a capela, escola e o refeitório eram especiais.

Acredite que a sua presença é a de um pai que desejamos ter e é suficiente para nos sentirmos mais confortáveis e seguros… engraçado, pois foi o que voltei a sentir, 26 anos depois de ter deixado a Casa.

Obrigado pelos seus sacrifícios, pelas suas lutas em prol dos nossos mais necessitados e manter a Obra viva.

Sei que por vezes é muito complicado, mas nunca desistiu nem vai desistir.

Eu fui Gaiato ainda não tinha 5 anos e fiquei quase 20.

Ser gaiato é ser toda a nossa vida e eu para ser sincero guardo com muitas saudades e orgulho esses momentos.

Da minha visita à nossa Obra fico com a sensação de que ainda faço parte dessa família ou então é um desejo do meu simples ser.

É sempre bom igualmente para mim as passagens pela tipografia onde trabalhei muitos anos como impressor ao cuidado dos nossos saudosos Sr. Júlio Mendes, Sr. Fernando Dias e recentemente Sr. Manuel Pinto claro sem esquecer Sr. Oliveira, Eusébio e Carlos Alberto na qual guardo muito respeito e grande amizade de muitos anos de trabalho juntos.

Apetece-me dizer que se um dia você precisar e a minha disponibilidade fosse benéfica para servir a Casa acho que aceitaria o desafio.

Um grande Obrigado por tudo.»

(nome)

Este modo de viver é o princípio do que nos distingue. Dele vêm as aprendizagens (escola de vida) para os anos futuros, dele vem a estabilidade, no presente, para alicerçar a singularidade de cada personalidade.

Pai Américo é a fonte donde emana esta sabedoria de vida, nascida da intuição amorosa por aqueles que Deus colocou no seu caminho. O regresso a Nazaré é o caminho sempre aberto, e a garantia de «voltar a ser feliz».

Padre Júlio