DA NOSSA VIDA

75 anos do Património dos Pobres

«Os pedreiros começaram a trabalhar em Fevereiro do ano de 1951». Este é o momento em que o Património dos Pobres começa a nascer da terra, como marca no tempo Pai Américo. O momento preciso da sua criação terá sido aquele em que, antes, germinara no seu coração.

Foi um sonho que se foi desenvolvendo ao longo de anos. Várias circunstâncias concorreram para que de desejo passasse a realidade. Como ele disse, «guardava no peito o desejo de um testamento. Não queria morrer sem deixar algo aos Pobres.»

Espantosa é esta palavra e esta ideia. Depois de vinte anos de vida sacerdotal a servir os Pobres, considerava como nada tudo o que já havia feito por Eles. Estavam de pé, nessa altura, três Casas do Gaiato, incontáveis visitas aos Pobres: «Sirvo os Pobres nas cadeias, nos hospitais, nos tugúrios, nos caminhos — e no Altar.»

Quanto ao ano de fundação do Património dos Pobres não há dúvidas. O ano de 1951 é o ano da fundação, pois o que funda é a realização e não o desejo.

Nesse mesmo ano, mais precisamente no dia 3 de Setembro, as primeiras oito casas construídas são entregues aos seus moradores: «Doentes. Velhos. Estropeados…» Em meio ano foram levantadas, com outras mais a despontar da terra, ao mesmo tempo que se levantavam também os seus construtores, os seus benfeitores, os seus moradores, os incrédulos e até os maldizentes. Todos à uma admiram o que era impossível aos homens, mas possível sob o sopro de Deus. O fogo estava ateado.

Este dia 3 de Setembro fica indelevelmente ligado à data da fundação do Património dos Pobres. Já não é só o desejo, nem o início da realização, mas a posse: O Pobre, neste dia, toma para seu uso o que foi feito para si.

O ano de 1952 viu disseminar-se rapidamente por todo o país, a multiplicação da construção de casas do Património dos Pobres, a que a homilia proferida por Pai Américo em Fátima, na missa dos Doentes, em 13 de Maio, acendeu o rastilho de amor pelo Pobre caído na estrada, sem lugar humanizante onde viver.

Seguiram-se centenas, alguns milhares, que cada freguesia — paróquia, pela sua Fábrica da Igreja — delas assumiu a propriedade. O livro de Pai Américo «Ovo de Colombo» contém o espírito e a matéria de que as Casas se fizeram, onde, quando e como.

Trata-se de um "milagre" o Património dos Pobres. Nas condições e circunstâncias do tempo da sua realização, também pelo seu carácter inédito, não se vê como dar vida a um movimento como este, a não ser com fundamento na Providência de Deus e no querer dos homens de fé indefectível.

Como resultado do trabalho exaustivo da iniciativa de pessoa amiga do Património, para situar as casas existentes, esperamos que dentro de meses possamos tê-lo em livro, para o que concorre também informação que lhe possa ser dada. Em breve, no nosso site, teremos indicações nesse sentido.

Padre Júlio