
DA NOSSA VIDA
Vidas perdidas
As grandes mudanças a que a sociedade tem estado sujeita particularmente nos últimos quarenta anos, mexeram também connosco, como não podia deixar de ser. Sem pretensões sociologísticas, há no mínimo dois ou três pontos que tiveram muito a ver com essas mudanças, que influenciaram também a vida nas nossas Casas.
Em primeiro lugar, a aprovação das leis relacionadas com o aborto em casos especiais, há cerca de quarenta anos, e, há cerca de vinte, o alargamento permitido com relação ao tempo de gestação. Fica a questão de se saber quem mais ao aborto recorreu, se os mais ricos ou os mais pobres.
As 15 mil crianças por ano, aproximadamente, que não lhes foi permitido nascer nestes últimos anos, representam menos de um quinto das que nasceram. Ainda que fossem menos são sempre muitas porque a vida é um dom e não um privilégio.
Como pediu a Santa Teresa de Calcutá, que as mães lhe dessem os seus filhos que pensavam abortar, e foram milhares os que entregou a famílias adoptivas, seria uma solução aplicável também entre nós. Nas nossas Casas não seria novidade. Mas, como se percebe, a ideologia vale mais que a vida dos nossos semelhantes indefesos.
Outra grande mudança é o crescimento em número dos mais velhos. Esta realidade prova a redução do número dos mais novos: Se há mais velhos é porque estes não são compensados por mais novos, ainda que a esperança de vida seja mais longa. Aqui também a ideologia vai dando os seus pontos com nó, a qual depois de reduzir os novos reduz agora os velhos, como se vê em países nossos vizinhos.
Os países mais pobres, apesar da alta taxa de mortalidade infantil e da vida ser menos extensa no tempo, acabam dominando em juventude, a qual vem colmatar os países carentes de jovens, para tudo, até para o desporto.
As mudanças actuais não serão as últimas. O bom senso acabará por vencer e, o ser humano voltará a ser o principal ser da Criação, sonhada, concretizada e providenciada pelo Criador, Deus, apesar da oposição de alguns.
Padre Júlio