DA NOSSA VIDA

O razoável

Temos connosco um jovem adolescente, com idade muito próxima da maioridade, para quem alguém nos pediu acolhimento, visto que não tinha apoio familiar, que havia perdido há pouco.

Em consciência, não podíamos negar esse apoio. Temos todas as condições materiais e humanas de que necessita, por isso aceitamos a sua vinda. O familiar mais próximo, não o podendo ter consigo, subscreveu o acolhimento.

Agora que está connosco há mais de um mês, é como se fizesse parte desta família há vários anos. Com as aulas ainda a decorrerem, sai pela manhã e volta ao fim do dia, pondo-nos a par das suas actividades, com uma postura limpa.

Até aqui nada de extraordinário.

A inquietação começa a surgir quando interpelam o jovem na necessidade de mudar para uma instituição que tenha acordo com a Segurança Social. Não é o nosso desejo. Mas, como estamos no período de férias, tê-lo-emos ainda connosco mais uns tempos, até que possam tratar do seu caso.

Entretanto, vai partilhando a sua com a nossa vida, em sintonia com a vida da comunidade, assumindo compromissos e actividades como todos os outros rapazes. A nossa Obra continua com a sua bandeira desfraldada, como Obra de Rapazes, para Rapazes, pelos Rapazes. Este é o nosso lema, que põe em destaque a importância do Rapaz na Obra, que vai crescendo e amadurecendo enquanto ajuda os outros a crescerem. Esta pedagogia nasceu do "saber de experiência feito" e não de teorias sujeitas à corrupção que o devir dos tempos trazem.

Apesar de todo o bem que poderia usufruir connosco, irá dentro de algumas semanas para outra Casa onde atingirá a maioridade. Aí, poderá escolher e determinar a sua situação e futuro. Não seria mais razoável fazê-lo agora?

Padre Júlio