DA NOSSA VIDA

Disponibilidade

Apresença de imigrantes nas nossas vilas e cidades faz-se notar onde quer que seja. Também por aqui, pequena vila, eles vão passando e ficando. O maior problema, que é geral, está na habitação, faltando em quantidade e qualidade. Ninguém estava preparado para esta novidade social.

A nós, vão-nos batendo à porta, por sugestão de quem nos conhece, na esperança de lhes cedermos algum espaço para habitação, já que trabalho não é problema.

Enquanto pudemos, acolhemos generosamente alguns homens ainda jovens, enquadrados nesta problemática. Cedemos-lhes condições dignas individuais para pernoitarem e se prepararem para as suas actividades diárias, em espaços autónomos da restante Aldeia da Casa do Gaiato. Mas temos limites.

De vez em quando procuram-nos com este intuito, como foi há dias, um jovem adulto que dizia já trabalhar nas obras, mas que não tinha lugar para dormir. Pedia nem que fosse "um cantinho na cozinha", mas essa não é a solução que gostaríamos de ter.

Entretanto sabemos de casos em que situações dessas encontram aceitação de ambas as partes, com mensalidades desajustadas, fazendo-nos lembrar, embora em escala muito menor, as situações vividas no século XX por migrantes na sua terra, que vinham para as cidades do litoral, em busca de uma vida melhor, mas que acabavam por cair em situações de miséria. Seria bem melhor permanecerem nas suas terras de origem do que migrarem para as cidades, como Pai Américo se lhes referia.

Por esse mundo fora, principalmente em lugares que são ponto de convergência na chegada de imigrantes, vemos como são indignas as condições em que ficam retidos, e assim permanecem por longos períodos. Dá pena não se poder ajudar, especialmente com os mais novos.

Os desequilíbrios sociais e o modo de os resolver nem sempre segue o caminho mais simples e mais eficaz. Com a rigidez normal da lei a ditar, fecham-se caminhos que podiam fazer chegar mais depressa a uma solução. A Doutrina Social da Igreja já o aponta há muitos anos, sugerindo a aplicação do princípio da subsidiaridade, desde que haja boa vontade em resolver os problemas.

Padre Júlio