DA NOSSA VIDA
Crianças
No Dia Mundial da Criança ouvimos uma notícia que nos deixou vazios: perto de 150 mil crianças de país africano lusófono, estão em perigo de fome, o que lhes deixará marcas difíceis de anular. A causa desta situação deve-se à redução dos apoios que vinham recebendo de organismo das Nações Unidas.
Durante vários anos, a algumas dezenas de rapazes, ainda crianças, a viverem em Portugal com algum familiar, tivemos a dita de os podermos acompanhar nas nossas Casas, em tudo aquilo que eram as suas naturais necessidades. Constituímos a sua família no dia-a-dia, presente em todos os momentos, com a família natural por perto. Muitos deles estavam em Portugal para tratarem problemas de saúde, que na sua terra não podiam resolver, recebendo toda a assistência dos hospitais portugueses.
A partir de certa altura, há cerca de meia dúzia de anos, por ditames legais, não mais nos deixaram acolher e ajudar estas crianças, com muita pena nossa. Nada nos faltava, do que era necessário, para prestarmos este serviço, que provinha, como sempre foi, da generosidade do Povo português, tão sensível às crianças portuguesas como às naturais de países das antigas colónias portuguesas.
Obviamente que estas crianças, antes de passarem a viver connosco, nas nossas Casas, não moravam em localidades com boa qualidade de vida. Viviam nos sítios mais pobres, e era lá que as íamos conhecer. Tantas há ainda agora que gostaríamos de ajudar. Elas são parte do sentido de existência da nossa Obra.
Claro que há pobres de outras pobrezas que continuamos a acompanhar. Mas as crianças são aquelas que tocam mais fundo no coração de todos.
Nós não somos os salvadores, não senhor. Mas podemos ser sinais de luz, neste mundo que persiste nas trevas.
Aos nossos rapazes nunca faltou nada do necessário. A acção de Pai Américo começou em plena Segunda Guerra Mundial, que não foi tempo de facilidades, mas tempo de grandes carências, o que não impediu que centenas de Rapazes da Rua se fizessem, connosco, homens inteiros.
Hoje, por todo o lado, continua o abandono fácil de crianças, deixadas à fome, na doença, no mais abjecto abandono, e em tudo o poder encontra justificação. Mas o poder deve ser serviço. Caso contrário é domínio.
Quem se dói por estas crianças?
Padre Júlio
