
DA NOSSA VIDA
Escondido
Com a generalização do domínio da técnica, estando ela presente em todos os lugares, inclusive no serviço caritativo, perguntamo-nos o que podemos ainda fazer aonde os técnicos não chegam. Lembro a frase que Frederico Ozanam lançou sobre os seus companheiros irmãos, todos eles desejosos de servir Jesus: «Vamos aos Pobres!»
Para eles, servir a Cristo, passageiro ininterrupto nos caminhos do mundo, que anda à procura de quem corresponda ao seu amor, é encontrá-lo resguardado debaixo das pontes que unem o mundo, realidades onde se escondem os abandonados.
Este Senhor não nos pede perfeição, seja no modo de o acolhermos seja naquilo que de básico necessita; não nos pede vistosas estruturas nem espaços rigorosamente dimensionados. Pede-nos do pão de que vivemos e dá-nos esperança que alarga a vida.
Em todos os tempos e em todas as partes do mundo, há oportunidade para encontrar Cristo escondido, mas presente, chamando-nos à verdadeira liberdade e realização maior.
O tempo passa e o nosso tempo também. Porque esperas, para que numa vida comum e anónima, ajudes Cristo a passar os seus dias de maneira digna e humana?!
Este simples incentivo «Vamos aos Pobres!», espalhou-se por toda a parte e pelos tempos adiante. É sempre actual como sempre actuais são aqueles a quem se refere. O Escondido, que se pretende servir, põe à prova as intenções de quem dele se aproxima, ao suscitar, no encontro, repulsa em vez do prazer que a natureza sempre deseja. É assim que se identifica e dá a garantia de não nos enganarmos — é Ele mesmo!
Com ele o tempo é bem gasto, a vida é bem gasta. Quem a perde há-de encontrá-la.
Padre Júlio