
DA NOSSA VIDA
Injustiça
Um dos principais jornais diários do nosso país publicou há dias, em letras que enchiam a primeira página, a seguinte notícia: «Três mil crianças e jovens vivem em condições "insalubres" ou sem abrigo.»
Fiquei por aqui e registei.
Esperei ver noutros meios de comunicação social alguns comentários a este tema e notícia, como é habitual fazer-se quando os temas são importantes ou chocantes.
Não tive conhecimento de qualquer reflexo da notícia, nem de alguém que manifestasse interesse ou preocupação pela situação relatada no diário. Se assim foi, estamos falados – as nossas crianças e jovens mais desprezadas já não inquietam ninguém.
Entretanto, vão os mesmos meios comunicando, a toda a hora, notícias de graves atropelos ao bem-estar e liberdade de cada cidadão, com relatos de rixas, agressões físicas e morais, roubos e outros, envolvendo grupos de adolescentes e jovens, aplicadas a outros coetâneos ou mais velhos ou com pretextos raciais ou xenófobos, reduzindo os outros a seres de outra espécie, sendo tratados os que o são, com mais consideração e cuidados.
A insensibilidade que se está a manifestar nestas não-reacções, parece trazer à evidência, que só será quebrada quando se sentir na pele a violência que outros já estão a sofrer. Esta mentalidade de indiferença perante as lacunas na formação humana dos mais novos, vai embalada também pela desautorização dos mais velhos, especialmente dos pais e educadores.
Nota-se uma falta de simplicidade e naturalidade nos métodos educativos, impostos por teorias desenraizadas da realidade da vida. O resultado é um acréscimo dos problemas e confusão que atordoa os mais novos na sua natural simplicidade.
Uma sociedade que propagandeia o bem-estar, a ausência de carências e a qualidade de vida, só pode provocar reacções adversas, violentas quando inflamadas, naqueles que não conhecem na sua vida estes predicados.
A notícia referida, manifesta uma injustiça social, e acusa também quem tem o dever de encontrar soluções para estes problemas, especialmente quando poderiam ser atenuados ou eliminados por intervenção da sociedade, através de instituições que se formaram para trabalhar nesse sentido, do que nós somos exemplo. Estamos disponíveis, mas não nos deixam agir.
Pai Américo conta o sucedido a uma mãe que, não tendo educado o seu filho no tempo devido, acabou por ficar sem o nariz, que seu filho arrancou quando lhe ia dar um beijo de despedida, acusando-a de culpada por ele ter levado uma vida que o levou à forca.
Independentemente da época e das mentalidades, para iguais causas, iguais consequências.
Padre Júlio