
DA NOSSA VIDA
Liberdade
De que serve viver sem liberdade? O viver sem liberdade só tem sentido quando se faz tudo para a adquirir, com esperança de a vir a alcançar. Este é o estímulo para aceitar a ausência de liberdade e a força para lutar por ela.
Seja no âmbito da vida natural seja na espiritual, o homem aspira e só se realiza em liberdade. Este bem, fundamental, resulta do agir de cada um mas também do agir colectivo. Também no plano espiritual estão presentes o indivíduo, a comunidade e Deus, criador e libertador.
Jesus Cristo é o único libertador. Ele é o centro vital do que move o agir cristão.
Em todo o pensamento de Pai Américo e no seu agir, está presente a necessidade de se ser livre e de se trabalhar para o alcançar. Quando dá ao Pobre o que ele precisa, transporta com este gesto o desejo de que ele seja livre e feliz. Por isso a esmola, não sendo uma humilhação é um desejo de exaltação, que não fica pelo desejo mas espera que aconteça.
A pedagogia que Pai Américo intuiu e estabeleceu nas Casas do Gaiato, tem subjacente o espírito de liberdade: Porta sempre aberta; confiança em vez de vigilância; contacto e respeito pela natureza na presença dos animais e das plantas, que crescem e vivem em liberdade; a chamada à responsabilidade nas tarefas, que é um exercício de liberdade, em que cada um se determina; da escolha entre o bem e o mal, em que o primeiro transpira da alma o sentimento de liberdade e o segundo de escravidão; a ajuda aos outros rapazes, pelo ensinamento e função paterna, no crescimento mútuo, doação livre de si mesmo e não para obter benefícios…
Porque chamaram os Pobres e os Rapazes, Pai a Padre Américo? Porque encontraram nele o seu protector, sim, mas também porque lhes abriu a porta do coração para intuírem a sua dignidade, e que irão ser livres dos males que os oprimem ao vislumbrarem um mundo onde serão homens e mulheres por inteiro.
Como poderíamos nós aceitar um modelo de vida que nos retiraria, a cada passo, este sentimento de vida em liberdade? E nos oprimiria, marcando em tabela o que podemos ou não fazer, ou seja, corresponderia a estabelecer leis no viver? A isto dizemos que é melhor ter a lei no coração, e como Santo Agostinho dizer também - ama e faz o que quiseres. Vivendo pela lei da liberdade passamos do antigo ao novo Testamento.
Não se pode regredir; de outro modo seria, verdadeiramente, um retrocesso civilizacional.
O mundo está cheio destes retrocessos. Nestes nossos tempos estão escandalosamente à vista de todos.
Padre Júlio