CONFERÊNCIA DE PAÇO DE SOUSA 2156
A crónica anterior já tinha seguido para a administração do jornal quando o Sr. Padre Telmo faleceu. Por isso, é só agora que aqui lhe prestamos a devida homenagem pela sua longa vida sempre ao serviço dos pobres.
Fiz-lhe uma visita poucos dias antes de falecer. Não me reconheceu à primeira, como é natural, mas, quando lhe avivei a memória dizendo-lhe quem era o meu pai, agarrou-se a mim com muita força para me dar um abraço apertado e disse-me: "Família abençoada!"
Com a beleza da sua palavra poética, o Sr. Padre Telmo denunciou os atentados aos Direitos Humanos numa altura em que muito poucos o faziam na Igreja Católica, em Portugal. Retomando as palavras do teólogo Massimo Faggioli, quando alguns por cá e noutras partes do mundo tentam vincular o cristianismo a uma certa ideia imperial de "civilização ocidental", o Sr. Padre Telmo viveu e ajudou a construir essa Igreja numa variedade de culturas que existem por esse mundo fora. O que pediu que fosse feito em relação ao local em que queria que fosse sepultado é uma expressão simbólica dessa universalidade.
Muito obrigado, Sr. Padre Telmo! O seu exemplo não morre. Continuará sempre vivo entre nós.
Américo Mendes
