CONFERÊNCIA DE PAÇO DE SOUSA

O Património dos Pobres e as Conferências Vicentinas

Em Fevereiro de 1951 iniciou-se a construção das primeiras casas do Património dos Pobres que ficaram concluídas e foram entregues aos seus moradores pobres em 3 de Setembro desse ano.

Essas casas que, no início, eram sete, foram construídas cá em Paço de Sousa e ainda por cá estão a cumprir a missão para que foram destinadas. Depressa a concretização deste sonho do Pai Américo se espalhou por outras localidades do Continente, dos Açores e da Madeira, indo mesmo até Angola e Moçambique, num total de mais de 3500 casas.

No artigo 2.º dos estatutos do que inicialmente foi designado por "Obra das Casas para Pobres" aprovados pelo Sr. Bispo do Porto, D. Agostinho de Jesus e Sousa, no dia 3 de Outubro de 1951 e publicados neste jornal no dia 10 de Novembro desse ano, diz-se o seguinte:

"Estas casas de habitação depois de construídas serão oferecidas gratuitamente por doação ou deixa dos oferentes à Fábrica da Igreja da respectiva freguesia, para o fim exclusivo de as ceder por intermédio da respectiva Comissão Administrativa aos pobres necessitados da freguesia para sua habitação, não podendo a Fábrica da Igreja cedê-las para quaisquer outro fim, nem onerá-las com quaisquer encargos sejam de que natureza forem."

No artigo 3.º destes estatutos diz-se o seguinte sobre essa Comissão Administrativa:

"A administração da Obra das Casas para os pobres será exercida por uma Comissão composta de três membros que serão, o Pároco da freguesia, que será o presidente, o Professor que será o secretário e pelo Presidente da Conferência de S. Vicente de Paulo, que servirá de tesoureiro, constituindo assim a Obra um prolongamento desta Obra de caridade cristã.

I. Se na freguesia não houver Conferência de S. Vicente de Paulo, servirá de tesoureiro o Juiz da Confraria do Santíssimo Sacramento.

II. No caso de haver vários professores na freguesia será da competência do bispo da diocese designar um deles.

III. Se não houver na freguesia nenhuma escola do sexo masculino, competirá igualmente ao bispo, sob proposta do pároco da freguesia, nomear o 3.º membro da comissão."

Na nossa paróquia, desde o início e até hoje, tem sido sempre assim: as casas do Património dos Pobres, que actualmente são o dobro das sete iniciais, são propriedade, da Fábrica da Igreja, sendo a Conferência Vicentina quem acompanha e dá apoio domiciliário a quem lá mora. Também é a Conferência Vicentina que angaria fundos para a manutenção destas casas, destacando-se aqui os donativos que nos chegam dos nossos leitores. Assim tendo sido possível conservar este património que ajuda a atenuar o problema da habitação no que diz respeito a pessoas pobres da nossa paróquia.

Esta situação também se tem mantido noutras paróquias por esse país fora, mas nem sempre isto tem sido possível. Seria importante o Movimento Vicentino dar toda a atenção que for possível a este que foi um dos importantes legados do Pai Américo e uma das principais respostas ao problema da habitação emanadas da Igreja Católica em Portugal.

Voltaremos a este assunto em próximas crónicas.

Américo Mendes