CONFERÊNCIA DE PAÇO DE SOUSA

Voluntariado

Nos últimos dias houve muitos voluntários, por esse país fora, a colaborar na recolha e na distribuição de alimentos a pessoas que deles necessitam. A nossa Conferência também esteve envolvida nessas actividades, sendo que, acudir a este tipo de necessidades, é tarefa que fazemos sempre que é preciso e não apenas de forma pontual.

É muito bom que haja quem disponha de algum do seu tempo para ajudar quem precisa, mesmo que seja só umas horas por ano. Todos somos precisos para esta causa. Sem de maneira nenhuma desconsiderar quem é voluntário de forma pontual, faz muita falta quem seja voluntário de uma forma regular, obviamente, articulando isso com a sua vida pessoal e profissional.

As estatísticas dizem que Portugal está no grupo dos países da União Europeia com taxas de voluntariado mais baixas. Pode ser que a realidade não seja bem essa e que haja pessoas que fazem voluntariado sem terem a noção de que o estão a fazer e que, depois, isso não apareça reflectido nas estatísticas.

Em relação ao voluntariado, também faz falta outra coisa. Faz falta que lhe seja dado o devido valor pela sociedade civil e pelos poderes públicos. Muitas vezes não é o caso. Muitas vezes não são devidamente compreendidos os problemas de quem faz voluntariado de uma forma resiliente, para lidar com problemas e populações difíceis. Em vez de ajudar, critica-se, em vez de remover barreiras, criam-se obstáculos. Nos que não ajudam como deviam, nos que são lestos a criticar, nos que levantam obstáculos estão os que, na sociedade civil, não reconhecem, nem valorizam o voluntariado, mas também estão, muitas vezes, os poderes públicos. Que o digam quem colabora em muitas organizações de economia social por esse país fora sobre a forma como as entidades públicas se relacionam com elas.

O mundo está cheio de guerras. Também as temos por cá, em várias formas. O que podemos fazer para combater essas guerras é ajudar quem for o nosso próximo mais necessitado no que, no plano material e no plano espiritual, estiver ao nosso alcance.

Américo Mendes