BENGUELA

Herdeiros do amor de Pai Américo

O legado de Pai Américo permanece vivo na obra de amor que Deus fez nascer no coração do grande pai dos pobres, dos abandonados e dos sem eira nem beira, dos sem tecto e dos sem amor. A sua vocação e missão é claramente percebida como um descer até as periferias da miséria para resgatar o que andava perdido. Qual seguidor autêntico do Evangelho do Mestre. Em Mateus 9:36-38 e em Marcos 6:34. [1, 2, 3, 4] encontramos uma das passagens mais marcantes e profundas dos Evangelhos, cujo cumprimento se efectivou plenamente na vida do nosso Pai Fundador que à imitação a Cristo sentiu grande compaixão pelas multidões de crianças que eram como ovelhas sem pastor. A criação das Casas do Gaiato foi a resposta para congregar as crianças em estado de vulnerabilidade numa só família. E eis a contextualização mais real da palavra revelada: Quando Jesus viu a multidão, sentiu uma profunda compaixão porque as pessoas estavam aflitas, exaustas e sem direcção, como ovelhas que andavam vagueando, perdidas e vulneráveis sem um pastor para guiá-las, protegê-las ou alimentá-las. Foi a sopa quente. O manto para cobrir e defender do frio a criança indefesa de braços abertos para ser amada no seio desta que é hoje uma grande família. Os "Herdeiros do Amor" são todos os rapazes, crianças adolescentes, jovens e todos os benfeitores e amigos que através desta causa permanecem como os continuadores da Obra da Rua. Eles asseguram a continuidade do projecto educativo da Casa do Gaiato. A porta continua a ser e a estar aberta para acolher e educar, promover, e integrar as crianças carenciadas, promovendo o seu desenvolvimento através do trabalho, da responsabilidade e do amor ao próximo. As Casas do Gaiato continuam a ser o lugar da família dos filhos sem família, comunidades educativas focadas na vida familiar, na responsabilidade e na inserção activa na sociedade. Os Sacerdotes vindos de suas dioceses de origem continuam a ser os apaixonados pela causa dos pobres, lutando pela sua dignidade, que, seguindo o exemplo do fundador, dedicam as suas vidas em benefício dos mais desfavorecidos e marginalizados. Existe ainda outra parcela de irmãos e irmãs que herdaram esse amor, que são os beneficiários do resultado de acção solidário que mobiliza apoio para os mais necessitados. A grande inovação pedagógica do Pai Américo foi o autogoverno: a certeza de que os rapazes criados nas Casas do Gaiato seriam os futuros continuadores. Eles aprendem a gerir conflitos, a cuidar do campo, das oficinas e, acima de tudo, a proteger, a orientar a escolaridade dos mais novos.

Estamos na semana que denominamos ser de Pai Américo. À hora do Terço temos leitura do "Cantinho dos Rapazes". Um livro pequeno e ao mesmo tempo grande pela actualidade dos seus escritos na vida dos rapazes. Com voz forte, um voluntário avança até ao centro da sala de jantar, e desde lá abre o livro e começa a refeição do alimento que Pai Américo deixou para saciar a nossa fome de amar e construir a fraternidade no seio da família, aplicando de preferência a correcção fraterna em casos de sarilho, considerando a imperfeição natural que todos carregamos e procurando fazer tudo por acertar da melhor maneira, a boa convivência entre os irmãos e progresso da comunidade. Ontem foi o encerramento das actividades lectivas na escola da nossa Casa que tem o como padroeiro Pai Américo. Foi a missa no largo da escola, o almoço e as actividades recreativas. Professores, direcção da escola e os alunos finalistas tiveram um dia de acção de graças ao nosso bom Deus, que tudo conduz providencialmente. A conclusão é de Pai Américo: «Primeiramente observamos de como é possível e suave acender na alma destes Rapazes uma luz que alumia e aquece. É pelo amor. Eles sentem-se amados e procuram naturalmente amar. Não é por mais nada.»

Padre Quim