BENGUELA - VINDE VER!

A Família é grande

Quando entramos para a Casa do Gaiato sentimos a dimensão das responsabilidades que ela assume como casa de família dos filhos sem família. Aqui os rapazes experimentam uma vivência na qual a família vai muito mais além do que os laços de sangue.

Os rapazes mais velhos assumem a responsabilidade de guiar, proteger e cuidar dos mais novos. Neste mês da criança, de maneira muito especial, os rapazes procuram redobrar o esforço em cuidar melhor dos mais pequeninos.

Viver em família, é assegurar-se de que ela é o nosso alicerce fundamental. É o novo grupo social de que fazemos parte, é aqui que aprendemos as bases da empatia, do respeito e da compreensão. É esse ambiente exposto ao sol aberto, ao convívio com a natureza, campos, animais, escola oficinas, campos de jogo, outros espaços de recreio que fornecem a segurança emocional necessária para crescer e enfrentar o mundo com uma perspectiva diferente.

Para além da assistência prestada diariamente é na educação escolar, no desporto e na aprendizagem de artes e ofícios, na catequese, na oração, na Santa Missa, nos sacramentos é que no dia-a-dia preparamos cada um para se tornar um homem de valor.

Recebemos um grupo de uma escola do Lobito que em atenção ao mês da criança organizaram um dia inteiro para partilhar, com os nossos, esta data do dia da criança africana. A escola parou para receber os visitantes. Houve partilha de bens que tornaram o convívio mais fraterno. Estamos a levantar no conjunto das obras de restauração do muro uma torre para instalar um sino já velho que deixou de ter utilidade na antiga capela de Santa Isabel. Vai ficar mesmo junto ao cruzeiro.

O sino já foi para a serralharia para a restauração necessária. Deixaremos de dar o sinal para a comunidade despertar para as tarefas e acto de comunidade com o toque de um carril de caminho-de-ferro, que produzia o som com o efeito de um golpe de outro ferro. E, desde a serralharia ainda em reabilitação ouve-se o toque mais refinado de um sino à maneira antiga, tocando na torre da Igreja a chamar os peregrinos para a assembleia de fiéis. A conclusão é de Pai Américo "Não somos asilo, nem reformatório, nem colónia penal... Os mais velhos cuidam dos mais novos."

Padre Quim