
BENGUELA
Escola do trabalho
Continuamos a acreditar no progresso de cada rapaz confiado aos cuidados da Casa do Gaiato. O nosso desenvolvimento é medido pelos indicadores que acrescentam competências a todos os níveis de desenvolvimento na vida de cada um dos rapazes. A Obra faz-se a cada dia, fazendo de cada criança um homem. A preparação deste sonho faz-se com muito trabalho, muita disciplina, muitos sacrifícios, muita paciência e sobretudo muito amor. Todos os habitantes da nossa Casa são potenciais colaboradores da vida activa da Comunidade de irmãos que construímos todos os dias participação de todos os beneficiários. Por isso é "Obra de rapazes, para rapazes, pelos rapazes". É deles, a Obra, feita por eles, para ser pelo bem dos outros irmãos. Neste momento o nosso chefe maioral é também o responsável pelas oficinas de Casa, acumulando duplas funções, embora uma delas em fase de transição. Foi posto nas suas mãos a responsabilidade pelas chaves das secções, o controlo dos rapazes que frequentam os cursos e o acompanhamento aos mestres. Estamos numa era nova das oficinas. O rapaz tendo chegado à idade dos dezasseis anos é convidado e auxiliado a tomar uma decisão que termina com a escolha de uma profissão. A dinâmica toma a seguinte metodologia: o rapaz, com a maturidade que se espera ter já adquirido com a sua idade e tempo de permanência em Casa, continua a fazer a sua formação académica e no período inverso às aulas, encontra nas oficinas o complemento das teorias e conceitos assimilados em sede da academia.
À pouco menos de um mês quando fui ao Lubango o Senhor Governador da província deu-nos o seguinte testemunho de optimismo; senhor padre nós temos muitos centros de acolhimento de crianças na cidade. O que acontece é que as crianças fogem e regressam às ruas para mendigar uma moeda de cuanza ou adquiri-la a troco de lavagem de carros ou prestação de um outro trabalho muitas vezes inadequado para a sua idade e estatura física. E continuou o seu testamento: mas com vinda da Casa do Gaiato sabemos que as crianças ficarão vinculadas a vós pela pedagogia aplicada nas acções educativas, pelo padrão familiar que vos caracteriza. E terminou a sua apreciação assim: conheço muitas pessoas que graças ao trabalho de recuperação, assistência e educação que encontraram na Casa do Gaiato, hoje são homens de valor e bem posicionados na vida activa da Nação.
Sim, somos uma escola de trabalho, para preparar homens que amam o trabalho. Fonte de equilíbrio entre a miséria e a vida com dignidade a que todos merecemos. A maior riqueza, a maior herança que se pode deixar a alguém é seguramente o amor ao trabalho. Com ele, podemos subir a montanha e conquistar os nossos sonhos. À hora do terço depois de bem alimentados pela oração falamos sempre para chamar atenção aos rapazes para que não se afastem destas verdades que vêm da experiência à luz da sabedoria. Em Nazaré, Jesus aprendeu a trabalhar na escola do trabalho. São José era o mestre. Precisamos de mais ajuda para melhorar a oferta educativa que implementamos num contexto difícil para adquirir meios e serviços. Que Deus continue a abençoar e a suscitar homens e mulheres de boa vontade para que não faltem os apoios necessários para fazer de cada rapaz um homem para a vida social com dignidade. A conclusão é de Pai Américo: «Oh! campo de jogos, casas de beleza, fontes e lagos, pomares e hortas, trabalho e alegria, horizontes, cor e luz! Pátria dos sem pátria. Vida dos que a não tinham. Como gosto, como me deleito loucamente em poder dar testemunho de uma riqueza perdida e mostrar o caminho do seu verdadeiro aproveitamento: — O trabalho. O amor ao trabalho».
Padre Quim