BENGUELA - VINDE VER!

Sal e Luz

No Domingo, animados pelo coro dos mais pequeninos da nossa Casa, reunimo-nos à volta do Altar do Sacrifício para a celebração do amor de Deus pela humanidade através da acção Redentora de Cristo na Cruz. No Sermão da Montanha, Jesus fala por meio de metáforas para descrever a missão dos seus discípulos. É necessário levar a vida com o sentido positivo diante das circunstâncias do nosso tempo. As contrariedades, as angústias, as grandes aflições, sonhos e incertezas que às vezes pairam sobre os seguidores das boas obras iluminam o mundo e dão beleza e sabor à vida nesta breve história peregrinante. Ser Luz para iluminar e sal para dar sentido à existência. À hora do Terço, sentados à mesa depois da oração, seguiu-se para o momento de balanço da semana para corrigir, reconhecer e melhorar os nossos passos ao longo da jornada diária. Pedimos aos mais crescidos e ajuizados para que o brilho das suas boas obras devam influenciar positivamente a comunidade inteira, com o bom exemplo dado aos mais novos. Elevando-se através dos valores cristãos de forte humanismo, éticos e morais, de gente que ouviu o Sermão da Montanha e guardou a mensagem do Mestre.

O processo educativo desenvolvido no ambiente característico da vida em comunidade que vivemos aqui em Casa é reflexo da resposta positiva ao apelo do Divino Mestre que passou a vida fazendo o bem. Quem educa faz bem àquele que é educado e faz bem à comunidade onde este se encontra inserido. A bondade irradia muita luz e muita esperança. As boas obras são o caminho para a construção de um mundo novo. Mais humano e mais fraterno. A fraternidade dá sabor à vida em sociedade, tal como o sal para temperar e dar gosto apurado aos alimentos.

Os nossos dois rapazes que foram trabalhar numa oficina de mecânica, quando regressam ao fim da tarde, contam como são estimados pelo patrão pela postura correta de como encaram a responsabilidade e trabalhos que lhes são incumbidos. Às seis da manhã já se põem a caminho, apanham um táxi na zona da piadeira e vão com coragem abrir caminhos novos. Caminhos de futuro. O «Zé Carlos» pediu uma bicicleta para chegar mais cedo e poder regressar a tempo do serviço e ter de assistir e participar das aulas no turno da noite no Instituto Politécnico da Graça. E quando o vejo rasgar o vento pela avenida das mangueiras, para sair ou ao regressar a Casa, costumo dizer, ali vem um herói. Abriu uma conta no banco, recebe todos os meses e veio entregar o cartão multibanco para guarda no escritório. O rapaz tem consciência que não deve gastar por impulso consumista dos tempos modernos. Tenho o seu cartão bem guardado numa gaveta da mesinha do escritório. Quando chegar a hora, o entregarei para começar a sua vida autónoma. É luz a brilhar! É louvor dado ao Criador. É acção de graças ao nosso bom Deus.

O «Zé Carlos» está no bom caminho. Aos sábados frequenta a comunidade do Caminho Neocatecumenal. O Caminho Neocatecumenal é um itinerário de formação cristã pós-baptismal para adultos, criado em 1964 por Kiko Argüello e Carmen Hernández, na Espanha. Reconhecido pela Igreja Católica, visa redescobrir o baptismo e fortalecer a fé em pequenas comunidades paroquiais, baseando-se no "tripé": Palavra de Deus, Liturgia e Comunidade. Fazendo valer a proposta do Sermão da Montanha, dando sabor à vida de milhares de jovens e brilhar a luz ao longo do caminho a ser percorrido. A conclusão é de Pai Américo "a ordem das obras de Misericórdia começa pelo dar de comer a quem tem fome; e, quando na hora derradeira, o Justo Juiz vier «em glória e em majestade» dar a cada um aquilo que lhe pertence, nessa hora, digo, o castigo ou a recompensa há-de girar à volta do dar de comer".

Padre Quim