BEIRE - Flash's

A nossa capela de Pai Américo...

Agora, porque O Calvário de Beire e Casa do Gaiato é uma só e mesma estrutura (ERPI e LR), temos duas capelas. A Capela de Pai Américo e a celebrada Capela Espigueiro. Porque a capela de Pai Américo é também a minha capela de eleição, foi com interesse que acompanhei as 'mãos do Mário' no restauro dela. Ai, os ferros forjados e a pintura das portas originais! Sonhei ir ao Jornal Digital procurar a crónica de Pai Américo em que fala desta capela (românica, em plena 2ª metade do séc. XX…). Um anacronismo!… Mas capaz do recolhimento de «um lugar para rezar»...

Sonhei. Depois o corre-corre e os suculentos imprevistos. Em que, com todos os riscos de algum fideísmo(1), gosto de ver o misterioso dedo de Deus. Talvez influenciado por aquele ditado popular – o acaso (imprevisto!) é o truque que Deus usa para esconder a Sua assinatura…

1. É preciso… fazer acontecer. Seja como for, quisemos fazer acontecer e a Festa aconteceu mesmo. Atempadamente, Pe. Alfredo anunciou que «no pf domingo, a Eucaristia será na capela lá de baixo, na Casa dos Rapazes. Porque, nesse mesmo dia 12 de julho, faz 70 anos que ela foi benzida e inaugurada, com a presença de Pai Américo e D. António Ferreira Gomes – então Bispo do Porto». E assim aconteceu. Com bem mais solenidade e adesão da comunidade local do que podíamos esperar. Pena que o Sr. Fernando esqueceu e não cuidou de levar o órgão para, com D. Flor, termos a clássica Missa Cantada, com Sermão, Procissão e tudo

Gosto de poder celebrar assim 'a capela dos meus amores a Pai Américo'. Porque, na pena dele, a palavra 'rezar' sempre me catapulta para um mais além do conceito que recebi da minha língua materna… Recordo o impacto que teve em mim aquele seu recadinho aos Padres da Rua - «…escrevam como quem reza».

Hoje, a palavra 'rezar' sempre me leva à minha sigla preferida – CTA, a falar-me da necessidade de estudar (Ciência), treinar (Técnica) e deixar-se guiar pelo 'Espírito Santo' – esse 'espírito' que quer mover toda e qualquer Arte. Criar para educar os olhos a ver um mais além… Criar como quem reza. Rezar como quem descobre o novo escondido no aparentemente já velho…

2. Espirrando para o Facebook… Já aqui disse o que, com a ajuda do Papa Leão XIV, começo a pensar das redes sociais. Inclusive da Era da Inteligência Artificial – IA. Tudo é Graça, tudo é Dom que chama para o Céu. Mas, por 'mal de nossos pecados', de tudo podemos fazer veneno que empurra para o inferno…

Estive na festa. Mas cá fora. Como tanta gente que não quis 'roubar' o lugar aos doentes, e não cabia lá dentro. Recordei Eucaristias, ali, com Pe. Baptista e os rapazes. Ou a sós, ele com Nelito, sem mais ninguém. Recordei o jeito de rezar de Pe. Baptista. E via Pai Américo, na quinzena antes da morte, a escrever para O Famoso, como que pressentindo já o quando e o como iria morrer…

Chegados ao fim da Eucaristia, cuidei de dar boleia ao Nána, D. Bárbara e D. Lurdes – já incapazes de ir e vir a pé… Tudo bem acadimado, segui para Leça, onde a minha casa é. Ali pertinho das atenções de minha filha. Tínhamos festa dos seus 57 anos, com toda a Maga Family, como é jeito de nos dizermos – a Família Magalhães. Que não me dispensa, claro, como tronco mais afastado, mas ainda a alimentar a seiva que por ali corre…

Agora, copio do Facebook, de 12.07: @ Acabo de chegar a Leça, onde venho almoçar com os "meus" - que me não dispensam. - Porque NÓS estamos primeiro!... É o sangue a falar. E o sangue, quando tb tem "coração", é a maior força do mundo. Segredo: amor a dobrar...

@ Paro o carro a uma sombra. Ouço um sinal, pego no tlm e vejo… Zezito. Pq é Zezito, vou ver - uma reportagem fotográfica da nss Eucaristia que, hoje, foi na nss "capela debaixo". A "capela de rezar", na expressão inesquecível de Pai Américo. Um "anacronismo" na arquitetura, mas um "apelo do Coração" para a Sabedoria da alma...

@ Faz HOJE 70 anos que foi benzida e inaugurada. Com a Presidência de D. António Ferreira Gomes e com Pai Américo ainda presente. Mas já em vésperas de "partir" - 4 dias depois...

@ Eu tinha 19 anos - a rebentar de sonhos. Numa crónica de P. Américo sobre a opção de uma capela assim, aprendi a palavra 'anacronismo"... Hoje ainda gosto de passar, entrar e ... rezar a esta luz de penumbra...

3. Um dizer de outra maneira! Depois de enviar a nota para o administrador da pg Amigos de Pai Américo, ainda antes de ela sair a público, partilhei-a com amigos 'zangados com o Facebook'. Dos ecos aqui chegados, destaco este – pelo conteúdo e pela procedência. Um antigo gaiato que sempre honrou a Obra que, naquele tempo, lhe deu a mão – via Casa do Gaiato, de Miranda do Corvo. Ei-lo: «Desde o princípio que [na tal capela] sempre apreciei a espiritualidade que ali respirávamos, melhor, em que sempre emergíamos em luz interior, naquela tal penumbra da lamparina bruxuleante. 70 anos! Em 61 fui um fugaz professor em Beire antes de ir para o Ultramar. Quanto apreciava recolher-me um bocadinho naquele não sei quê (anacrónico? românico de gema?) tão envolvente».

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1. Fideísmo é um parente próximo da crendice… Tende a 'ver' Deus onde é preciso ver a vontade de Deus a pedir que façamos o que nos compete a nós fazer, para que Ele possa atuar em nosso proveito.

Um admirador

[Escreve segundo o acordo ortográfico]