
BEIRE - Flash's
A nossa Festa das Flores...
Recordo: Festa da Flor, na ilha da Madeira; Festa das Flores, em Campo Maior; Festa das Flores, em e em e em… Recordo Pe. Baptista. Gostava de assinalar que o "índice de vida, aqui no Calvário, é superior ao de outras instituições similares". E sempre explicava que "isso é devido também ao ar puro que aqui se respira". Sei que a expressão 'ar puro' é uma expressão 'transversal'. Já se aplica fora do sentido meramente ecológico… O tamanho e o tipo de arborização da nossa mata, a variedade e beleza das flores que cultivamos, o traçado arquitetónico do casario e arruamentos desta "Aldeia de Doentes - para doentes, pelos doentes". E, sobretudo, o 'ambiente afetivo' que aqui se respira. Na busca de sermos 'uma Família' para os sem família… Tudo isto tem o seu peso e significado. De que também é bom cuidar.
1. Os 'Amigos de Padre Américo'... Para os que ainda hoje se doem com as dores que, já naquele tempo, tanto afligiram Pai Américo, o Facebook vai crescendo no grupo dos Amigos de Padre Américo - Casa do Gaiato... Apraz-me saber que esta iniciativa partiu de um gaiato que, já aposentado, deixa que o seu amor à Obra, que o criou, se traduza em hastear assim bem alto a bandeira desta nobre família que já conta mais de 80 anos… Grande tarefa, Alberto! Um lindo trabalho, sem fim à vista. Porque a paixão desta página é ilustrar bem as notícias das Casas do Gaiato e repartir aos bocadinhos aquele pão saboroso que vai saindo n'O Gaiato em cada quinzena…
Porque cresci já à defesa contra estas modernices, mantive-me alheio à iniciativa. A desculpa era de que "porque não domino isso e tenho outras prioridades"… Mas a insistência do grupo para "ao menos ver e fazer um ou outro comentário" acabaram por me acordar. E, agora, com o empurrão da encíclica Magnifica Humanidade, do Papa Leão XIV, começo a ter uma consciência mais alargada de que, nesta matéria das redes sociais, «não podemos ficar na condenação e/ou aprovação incondicional». É preciso aprender a usar bem essas conquistas da técnica, com um grande sentido crítico. E aproveitar as oportunidades que elas nos oferecem…
Comecei, em 31.08.25, por uma notazita sobre um corte de cabelo, aqui no Calvário, à moda das Casas de Africa. Zezito era o barbeiro e a barbearia, na rua, ao ar livre... Adão fez e cedeu as fotos. Ensinou que aquilo era um escovinho. Depois veio a crónica ao saudoso Menino Tonecas. E ainda o Manel Pinto, a quem estou particularmente ligado. Lia-o n'O Gaiato – "Do que nós necessitamos", em que dava conta dos donativos que chegavam. Quando casou, em 1957, eu tinha acabado de concluir os meus 20 anos. Escrevi-lhe, ainda em papel timbrado do Mosteiro de Singeverga - onde eu era. Guardou a carta e, já em 2022, numa passagem minha pelo escritório de Paço de Sousa, chama-me: – Tenho uma coisa para lhe mostrar… Enterneci-me. Fiz fotocópia. Deixei-me sentir bem o acordar em mim daquela velha paixão pel'O Gaiato - o jornal que foi moldando o meu jeito de pensar/sentir e escrever-me…
2. BELEZA – um lenitivo e um aperitivo... Por caminhos que só Deus sabe, acabo por vir parar ao Calvário. Meio assustado, mas contente por me sentir útil. Começo a catar flash's. Como quem partilha belezas da Obra, envio a Pe. Júlio – se vir que… E logo veio o batismo - um admirador… Abrindo o apetite para que não mais pare de catar flash's. Porque são tantos que não chego prás encomendas… N'O Jornal e no Facebook. Até que vieram as flores. Coisas levezinhas - aleluias, azáleas, hidranjas, jardim das rosas…
Há dias, saiu assim: «A festa dos Agapantos. @ O sol, ad a levantar-se, beijava já os cumes da Aldeia dos Doentes - aqui no Calvário. Em ação de graças por mais um dia, eu disfrutava da riqueza da luz da manhã - propícia à produção da serotonina, uma das 4 grandes hormonas da felicidade terrena. Uma voz interior que nos chama para a Felicidade Eterna... De repente, a minha atenção para-se na beleza terrena dos agapantos... Só dos d'azul roxeado. Que os brancos ainda não chegaram aqui... Hei de chamá-los e acolhê-los bem. @ Gosto de auscultar estas que, de forma efémera, aqui em baixo, apontam já a BELEZA que ainda só gatinha dentro de nós... A dizer-nos que o passageiro d'aqui ainda tem CONTINUIDADE num Mais Além...»
Chegam ecos desta forma de me dizer - na vivência do meu estar no e com o Calvário. Consciente de que a sua missão é pro+seguir, sem se deter em moldes que o tempo já desgastou. Vejo um comentário: «Que beleza de 'escritura' – digna de um artigo para o jornal. E abençoada pela profundidade com que vê e toca os dois mundos. // Gratidão, por me emprestar o seu olhar». // «Lindo texto! Sua reflexão sobre a beleza terrena e eterna é inspiradora».
Empurrado por ecos desta natureza, recordo a velha Filosofia e Teologia Escolásticas com sua temática da Beleza, da Bondade e da Verdade como 'sacramentos' da «Essência de Deus». A tal ponto isso me encantou que até decorei aquele bonito latim: «Verum et Bonum … Bonum et Pulcrum… Pulcrum et Verum… Verum et Bonum… convertuntur»… A dizer-nos que a misteriosa realidade subjacente a cada uma das três palavras 'sagradas' (Verdade, Beleza e Bondade) 'converte-as / encaixa-as' umas nas outras a tal ponto que 'anunciam' uma só e mesma coisa - Deus Hominizado/ Homem chamado a Humanizar-se…
Um admirador
[Escreve segundo o acordo ortográfico]