
BEIRE - Flash's
Uma «nova terra prometida»...
Não sei se é assim com toda a gente. Sei que comigo é assim. Até mesmo ao rezar a Liturgia das Horas, a minha cabeça, a propósito de tudo e de nada, 'voa-se' para o Calvário… Aí, dou graças pelo que já temos e deixo-me embalar pelo sonho do que ainda precisamos e muito gostaríamos de vir a ter…
1. Cristo, uma «luz sem ocaso»… Estamos já no final das Laudes. Pe. Alfredo está presente, mas deu ao Adão a 'presidência'. Ele tinha chegado de, na véspera, receber as «Ordens Menores», primeiro degrau da escada das «Ordens Maiores» que levam ao Sacerdócio. Logo no 1º versículo das 'Preces', deparei-me com esta: «Cristo, luz sem ocaso, que vindes como sol nascente iluminar as nossas trevas, despertai do sono a nossa fé».
Deixo-me encantar pela imagem literária de Cristo como «luz sem ocaso» que «vem como sol nascente iluminar as nossas trevas». Mas… também sinto um certo desencanto pela 'pedincha' do «despertai do sono a nossa fé». Como se Ele precisasse que Lho pedíssemos… Não quer Ele outra coisa – que tenhamos uma fé bem desperta, «capaz de remover montanhas»… Por isso nos recrimina tantas vezes - «homens de pouca fé, porque duvidais?!» (Mt 14, 22-31)…
Tento apaziguar-me com a certeza de que, mesmo com esta formulação 'pedinchona', Jesus não leva a mal e continua a «estar no meio de nós, sempre que nos reunimos em Seu nome» (Mt, 18, 20). Para que, aliado ao esforço que a nós compete fazer para nos pormos do Seu lado, Ele possa «despertar do sono a nossa fé». Ainda tão pouco esclarecida. Mesmo depois de um ensino da Igreja já com 2026 anos! E depois de todo aquele Seu trabalho e tempo dedicado à «formação dos Seus discípulos»…
Bem no coração do Calvário, encontro-me com Pai Américo. Na mira de, como ele, «descobrir o rosto de Jesus no pobre abandonado». E, impelido por essa descoberta, «entregar-me a todos os homens» como toda a vida dele foi. Fiel à «martelada» que o fez acordar e deixar-se «impelir» pela sua fé n'Ele, de Quem nunca mais se desapegou…
Fico-me a remoer os «caminhos novos» da Teologia sobre a «oração de petição» - com seus prós e contras… Porque, não podemos ignorar que já muita gente se santificou pela via da «oração de petição». Como também não podemos ignorar que também são muitos os que perdem tempo e energias a 'pedinchar' aquilo a que Jesus já deu resposta - «não sabeis o que estais pr'aí a pedir» (Mt 20, 22). Por isso gosto tanto da «oração conversa(1)», em busca da «Palavra do Pai» que a todos Une - «Eu e o Pai somos UM»…
2. Um «novo Céu» e uma «nova Terra»… Centro-me no papel deste misterioso 'interior' de cada um perante si mesmo, perante os outros, perante a vida, perante o mundo e perante Deus (do jeito que O entende). Esse Deus que, por mais que Se nos mostre, sempre Se nos esconde. «Ignoto Deo» lhe chamaram - um «Deus desconhecido», um «Deus escondido». Esquecidos de que o Seu verdadeiro rosto já nos foi «revelado em Jesus, o Filho do Carpinteiro». E, sobretudo, bem explicado(2) por S. João, o discípulo da maior proximidade com Ele: «Aquele que diz amar a Deus a quem não vê e não ama o irmão a quem vê mente com quantos dentes tem na boca»… Porque só aqueles que incansavelmente O procuram numa vida comungada(3) acabam por se apaixonar pelo que ainda não conhecem… Mas já intuem e começam a acreditar, com base no testemunho das suas experiências de fé.
Tocado pelo sonho de «caminhos não andados que esperam por alguém», cada vez que algum texto «inspirado» me chama para «mais além», sempre com «mais vida», logo me sinto «voar»… Porque gosto de me sentir um «ser-de-desejo»(4). E gosto de ver Pai Américo como um saudável 'sonhador' – sempre em busca d'o quê «Deus quer» dele… Foi assim que nasceu a Obra da Rua. Que «Deus [ainda] quer», porque ainda é precisa para bem dos homens por Ele amados…
PRO+seguimos a rezar Laudes. Retomo as «Preces» - mesmo que 'pedinchonas': «Dai-nos um coração generoso, humilde e confiante, para que todos os homens vejam a razão da nossa esperança». «Vinde criar a nova terra prometida, para que nela habite a justiça e a paz». Volto a voar, levando comigo todas estas 'conquistas' que o novo Calvário já pode mostrar: animação desportiva e sócio cultural, espevitar da 'arte adormecida' no coração de cada um, participação comunitária com as obras semelhantes das redondezas, canto com expressão corporal, trabalho regenerador, tónica na celebração da Palavra – 'tirada do Evangelho'…
3. 'Impelidos a voar' – mesmo que… «Somos anjos de uma só asa». Mas com uma ineludível fome de voar… Lá saberá o Criador porquê nos fez assim. Talvez paranos despertar para esta curiosa realidade: voar, voar… só juntos, sempre a «dois ou três», com Ele «no meio de nós» (Mt 18, 20), a gerar reciprocidade de comunhão amorosa…
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1.
Comversar – buscar o mesmo verso, o mesmo lado…
Esse que UNE os interessados na comum UNIão…
2.
Ex+plicar é retirar (ex) as dobras (plex)
que escondem os plissados, mais que duplicados…
3.
Uma 'vida comungada' é uma vida 'feita unha e
carne' com o irmão que precisa – como foi a vida de Pai Américo…
4.
Desejo!... Vale a pena ir à IA ver porque somos
esfomeados de voar até às nossas estrelas, lá
no 'espaço sideral' de onde todos viemos…
Um admirador
[Escreve segundo o acordo ortográfico]