
DA NOSSA VIDA
O centro da vida
Os muitos nossos Amigos revelam-se especialmente nesta Quadra natalícia, marcando presença com suas partilhas, sensibilizados com as várias realidades que constituem a Obra da Rua. Mais razões lhes queremos dar para que o ponto central desta amizade que nos une, o Pobre, encontre quem o ame e o sirva nas muitas pobrezas do nosso tempo e do nosso mundo. Que este amor seja perfeito e não encontre empecilhos como o ter de pedir licença para que se realize.
Não há acção mais livre que a resultante do amor. Se não houvesse amor pelo Pobre, onde estaria viva a capacidade de amar?
É este impulso que leva os nossos Amigos a abeirarem-se da nossa Obra, dos quais ouvimos palavras que não somos dignos de repetir. Quantas vezes ficamos em silêncio, pasmados, perante a palavra escrita e falada d'Eles! São verdadeiras declarações de amor pelo Pobre que as suas palavras traduzem.
Aqui não cabem estatísticas. Seriam tidas como ofensa e humilhação ao Pobre. Não devemos duvidar de que Deus dá ao mundo tudo o que ele necessita para viver. As pobrezas incriminam o mundo que as produz ou consente. Mais úteis seriam os estudos para demonstrarem que, os que podendo, não partilham vida e bens com o Pobre.
Sonhamos novas realizações para a nossa Obra, na «pobreza escandalosa dos Padres da Rua», como se referiu Pai Américo no lançamento do Calvário. Com os pés assentes na terra, porque ainda aqui andamos, e na confiança de que Deus quer, esperamos activamente que as obras nasçam, porque «os Pobres não podem esperar», como dizia o falecido Bispo do Porto D. António Francisco, ele que recontava a sua passagem, enquanto seminarista, pela nossa Casa de Paço de Sousa: Andei a lavar as janelas do refeitório a pedido do Padre Carlos. Assim mesmo. Próximo dos Pobres sabe do que eles precisam e pode pedir para eles: «Os Pobres não podem esperar.»
É condição sine qua non para a realização destas obras, o cumprimento escrupuloso da lei, das grandes e pequenas coisas que ela determina. Muito bem. Mas, como não se vai fazê-los esperar se ao tempo necessário e indispensável se vai juntar o tempo desnecessário e dispensável que certas burocracias exigem? Não deveria ser um passaporte de livre-trânsito aquele que a experiência de longos anos, ao serviço d'Eles, granjeou?
Padre Júlio