CALVÁRIO - Voz aos Doentes

Estou pelo Calvário há uns bons meses. Tenho 72 anos, feitos em Julho passado. Estou a adaptar-me bem, depois de ter vivido na Casa do Gaiato de Setúbal muitos anos e trabalhado na tipografia. Já fiz o pedido de alteração de morada para me inscrever no centro de saúde mais próximo e assim ser seguido por um médico de família. A minha saúde é relativamente estável, mas preciso de análises gerais e de uma consulta de ortopedia para revisão da minha prótese.

Primeiro veio o pedido para regar o jardim junto do edifício central, que faço habitualmente depois do jantar. Depois as férias na praia de Azurara e no final de Julho a visita a casa dos amigos Quim Peroselo & Lala, em Paço de Sousa, para o habitual lanche anual. Fomos muitos doentes aqui de casa e chegámos bem. O Mário, o Padre Alfredo, o Senhor Pacheco e a Rosa guiaram-nos em segurança. O calor não dava tréguas, mas a mesa posta à sombra, as bebidas frescas e a música ajudaram a passar uma tarde muito feliz. O Albano e o João, com as suas violas, animaram a tarde e todos cantámos muitos temas do cancioneiro popular português. É bom sermos uma família alargada e quem canta junto faz comunhão. O Padre Telmo teve a visita inesperada de uns primos que, vindo ao Porto para consultas médicas, passaram para o cumprimentar.

Também estamos a iniciar um processo de fabricação de papel reciclado. Por agora só vamos desmontando revistas e cortando o papel em pedaços. Depois virão as seguintes etapas, que a nossa amiga e voluntária Melita nos ensinará. Assim que possa viajar da Guarda até Paredes.

Também vieram visitar-me, este Verão, o Freitas e a esposa Sílvia, que já não via desde que me vieram a acompanhar na minha vinda para Beire. A todos deixo a minha gratidão pelo acolhimento e amizade.

Carlos Bôa