BEIRE - Flash's

A nossa 'Economia Tocária'...

Que me lembre, é já a 3ª vez que abordo aqui esta temática. Porque a Ciência cada vez nos revela mais coisas sobre este fenómeno humano: «Para viver minimamente equilibrada, qualquer pessoa precisa de, pelo menos, três horas dia de atenção (toque(1), stroke)». E mais: Se o não consegue obter pelo circuito positivo, irá procurá-lo pelo circuito negativo. E, assim, se explicam todas as nossas 'agressividades' e todas as 'guerras entre as nações'… Tudo sintomas de que a nossa economia tocária — fome de atenção / prestígio — está a ficar careca e já não aguenta que nos peçam mais cheques de uma resposta realista, adequada, nos conformes do aqui e agora…

Aqui no Calvário (e comunidades afins), isso faz parte do nosso quotidiano. Diria que é palpável Basta ter os olhos abertos e aprender a ver. As 'Ciências Sociais' ainda têm muito a descobrir nesta matéria. IPSS, núcleos da SS e ISS(2) não podem mais ficar-se por um préconceito de ciência, no que diz respeito às suas áreas específicas — a Ação Social. Porque tudo quanto diz respeito ao cuidar de uma comunidade (aglomerado social!) ou tem em conta a pessoa integral ou logo irá "pecar"(3) por omissãoo ato destrutivo mais poderoso… Crime de lesa majestade em matéria social.

Para lá daquilo que abordei n'O Gaiato, de 26.07.25, em relação ao Abraço da Paz, nas nossas Eucaristias, ainda hoje a D. Deolinda no-lo revel(a)ou. Não por palavras, que não sabe dizer. Mas, na sua paralinguagem(4) e na sua linguagem corporal, aquilo era patente. Toda ela espirrava felicidade. Porque estava a ser alvo de uma 'distinção' que muito aprecia. No seu rosto e sua postura, quase se «via» o seu cérebro a comandar a produção das quatro hormonas ditas da felicidade — a oxitocina, a dopamina, a serotonina e a endorfina…

Foi assim: esperava pela Ambulância que a conduziria à Fisioterapia. Porque estava na hora de Laudes, juntámo-la ao grupo e, junto do Zezito que lhe chegava o texto, ela pôde rezar connosco.

Mas o que digo da Deolinda (que até lê bem) também o digo da Luisinha, do Zé ou do Paulo Sérgio, que nem ler sabem. Gostam desta distinção… Sentem uma proximidade ("um toque") especial…

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1. Toque é a palavra portuguesa mais usada para traduzir o stroke americano, lá onde foi usado pela 1ª vez para significar «um sinal dado por alguém a outrem (consciente e/ou inconscientemente) que o acolhe como testemunho de sua aceitação e/ou de sua rejeição». Todos temos basta experiência deste fenómeno humano — ainda que muito poucos tenham consciência disso.

2. IPSS = Instituição Particular de Solidariedade Social; SS = Segurança Social; ISS = Instituto da SS.

3. Gosto de ver o pecado na sua experiência vivenciada — um fruto / um comportamento 'peco', que não chegou lá… Caiu pelo caminho e ficou-se no chão, a apodrecer…

4. Pouco observada e, por isso, muito pouco recolhida como fonte de preciosas informações, a paralinguagem é esse nosso dizermo-nos uns aos outros nisso que o povo traduz assim — Vê-se pela aragem quem vai na carruagem; quem muito fala pouco acerta; oh, isso lê-se muito bem nas entrelinhas

Continua

Um admirador

[Escreve segundo o acordo ortográfico]